Vazio S/A

25.02.2011 Porto Alegre

Como foi sua trajetória desde sua formação até os projetos mais recentes do escritório?

 

Carlos Teixeira - A minha formação profissional se iniciou na Escola de Arquitetura da UFMG, aqui em Belo Horizonte. Formei-me em 1992 e, dois anos após a graduação, fiz mestrado na Architectural Association, em Londres, com um trabalho relacionado a habitação social e urbanismo.

O escritório foi fundado com o nome Vazio S/A, oficialmente, em 2002. Antes se chamava Casa Design Brasileiro, porque comecei desenhando móveis com minha irmã, Helena Teixeira. Em 2000, nos separamos e ela montou uma loja com esse mesmo antigo nome e passou a produzir os móveis que desenhamos numa escala quase industrial.

Mais recentemente, concluímos um prédio residencial – o Montevidéu 285 – que foi projetado e incorporado aqui pelo escritório. Ou seja, em alguns trabalhos mais recentes, nós cumprimos toda a parte burocrática e financeira, acompanhando todo o processo de projeto e construção do edifício, tendo a construtora no papel de uma sócia nossa. Na verdade, não é algo muito fácil, esse processo toma tanto tempo e é tão desgastante que quase desisti nesse segundo prédio, mas é o que tem sido feito.

Há trabalhos menos arquitetônicos, como textos, livros, exposições. No início de 2011, entreguei um ensaio a pedido de uma universidade americana sobre a cidade brasileira contemporânea a partir de trabalhos de artistas plásticos e do cinema brasileiro atual. Recentemente, também foi montada, em Nova York, uma exposição chamada New Practices São Paulo, com a apresentação dos nossos projetos e de outros escritórios do Brasil.

 

Por que o uso do termo Vazio para nomear o escritório? E quais são os questionamentos mais presentes nos seus projetos? 

 

Carlos - Nos últimos três anos, publiquei três livros que são, de certa forma, consequência do meu primeiro livro publicado Em Obras: História do Vazio em Belo Horizonte, de 1999, baseado na tese de mestrado que fiz na Inglaterra e editado pela Cosac Naify. Está fora de catálogo atualmente, mas funcionou como uma espécie de base teórica para o que fiz desde então. O livro é a história de uma cidade criada – Belo Horizonte – a partir da intenção de ser uma cidade planejada, assim substituindo Ouro Preto. Ainda é possível ver vestígios desse antigo projeto da cidade de Belo Horizonte no interior do anel formado pela avenida do Contorno que, segundo a concepção original, delinearia o limite da cidade. Todo o tecido urbano externo a essa avenida não foi feito seguindo qualquer critério de continuidade a esse planejamento original. Ou seja, o livro é sobre uma cidade muito típica dessa falta de cultura de planejamento urbano no Brasil. Porém, ao mesmo tempo, aborda certos ímpetos de planejamento que esporadicamente ocorrem nessas cidades. Fato que é de fácil visualização ao se observar o mapa urbano. Discorre-se também sobre a importância da não arquitetura e dos espaços vazios no planejamento urbano, mostrando como a própria cidade de Belo Horizonte, por falta de visão do poder público, teve prefeitos que patrocinaram a ocupação desses vazios urbanos. Por isso, é difícil perceber a capital mineira como uma cidade planejada, como era possível até as décadas de 50 e 60.

 

Estudos mais recentes preveem que a população de vários países deixará de se expandir em meados do século atual. A partir dessa premissa, podemos cogitar que as cidades deixarão de crescer num futuro próximo, ocasionando talvez o contrário do que ocorreu no passado. Ou seja, como será pensar essa cidade de população decrescente? Visto isso, será que surgirão novos vazios urbanos com os quais teremos que nos adaptar? 

 

Carlos - É complicado afirmar com certeza que a população chegará a um nível estável, mas penso que, no Brasil, isso ainda vai demorar algumas décadas. Criando hipóteses, talvez mesmo com o decrescimento da população total, as cidades podem continuar a se expandir devido a um aumento da concentração de pessoas nos centros urbanos.

O ponto é que Belo Horizonte, por exemplo, é um município cuja população parou de crescer recentemente, porém o tecido urbano continua a se espraiar. Isso é motivado pelo crescimento, em ritmo ainda considerável, dos bairros periféricos mais pobres e pela procura das pessoas por esses condomínios – semelhantes a pequenas cidades horizontais – de classe média fora das zonas centrais das cidades. Ou seja, as áreas metropolitanas brasileiras têm crescido muito mais em termos periféricos do que pelo adensamento do centro do município principal delas.

O livro Em Obras: História do Vazio em Belo Horizonte tem uma ideia geral de aceitação da cidade tal qual ela é, com essa falta de planejamento e com essa certa feiura das descuidadas cidades brasileiras ou, de maneira geral, “terceiro mundistas”. Não é um estudo baseado em comparações com outras cidades, que é um método comumente utilizado pelo poder público e pelos órgãos de patrimônio histórico, comparando nossas cidades com modelos urbanos que em nada se assemelham com as cidades americanas que, de modo geral, não têm uma história homogênea de crescimento. Da época em que escrevi o livro até a atualidade, alguns projetos que fizemos são respostas a essa questão.

Uma resposta literal para essa preocupação foi um projeto chamado “Amnésias Topográficas”, que consistiu na ocupação de espaços urbanos temporários. Eram intervenções nos vazios debaixo de prédios residenciais, muito típicos em vários bairros de Belo Horizonte. Como a cidade tem uma topografia muito ruim para crescimento urbano, ela foi crescendo para áreas não muito indicadas para essa expansão. Com isso, várias casas e prédios foram construídos como se não houvesse relação entre topografia e a arquitetura, gerando certos vazios nos “esqueletos” ou “palafitas” de concreto. Em 2004, junto com a arquiteta Louise Ganz, desenvolvemos aqui uma proposta de ocupação desses vazios. Logo depois, teve um projeto, do qual só participei de sua formatação no Ministério da Cultura, chamado “Lotes Vagos” e foi um incentivo para vários artistas e arquitetos a pensar em formas de ocupações temporárias para esses lotes vazios da cidade. Então, essas são duas respostas, mesmo que temporárias, à questão dos vazios urbanos.

 

Quais são as referências que incitaram a esse estudo relacionado aos vazios urbanos e que são exemplares para os projetos feitos pelo escritório?

 

Carlos - Quando estava estudando arquitetura na UFMG, um professor meu chamado Joel Campolina, com quem trabalhei logo depois de formado, tinha feito uma tese de doutorado na USP sobre ocupação de espaços urbanos atípicos. Um dos exemplos que ele coloca como ilustração de suas ideias era uma ocupação do espaço entre as estações Dom Pedro II e Brás do metrô de São Paulo. A proposta se estruturava a partir de uma plataforma, com prédios que a poderiam “engolir”, transformando o viaduto em túnel. Como naquele ponto o metrô já não é subterrâneo, mas sim suspenso, ele usava como referência a Ponte Vecchio, em Florença, para tirar partido da ocupação de áreas que não são sujeitas a alguma apropriação convencional de espaço urbano. Posso dizer que Joel Campolina, que chegou a trabalhar com alguns arquitetos holandeses como Herman Hertzberger, me apresentou a esse tema de vazios e como pensar em soluções não convencionais para essas áreas ociosas da cidade.

Do ponto de vista teórico, havia dois arquitetos bastante influentes quando estive na Architectural Association. O primeiro deles é Bernard Tschumi, que escreveu um texto bastante importante para mim sobre relações entre cenografia e urbanismo, com intervenções urbanas através de eventos e performances. Na década de 90, Tschumi era um arquiteto muito influente com seu recém-concluído projeto para o Parc de La Villette, em Paris, porém, sua carreira e seus projetos se tornaram mais comerciais e previsíveis nesta última década. De qualquer maneira, o que ele escreveu, no final dos anos 70 e ao longo dos anos 80, foi algo que me impressionou muito e me serviu de base para pensar projetos com grupos de dança e teatro. Inclusive um livro que escrevi recentemente, também de nome “Entre”, é muito influenciado pelos escritos desse arquiteto e contém uma entrevista com o próprio Tschumi feita há uns três anos em seu escritório. O segundo arquiteto que cito é Rem Koolhaas, cujo livro S,M,L,XL me deixou realmente muito impressionado quando foi lançado em 1995, pouco após minha conclusão de mestrado em Londres. Lembro que quando o vi pela primeira vez tive certa antipatia e preguiça, mas depois de certo tempo resolvi dar uma lida naquela bíblia e foi um choque também.

 

Comparadas as faculdades de arquitetura americanas e europeias, percebe-se um grande hiato nas universidades brasileiras com relação ao pensamento, às questões debatidas e ao uso e a exploração das possibilidades proporcionadas pela tecnologia atual. Qual seria sua posição com relação ao ensino de arquitetura no Brasil?

 

Carlos - Considero as escolas de arquitetura daqui do Brasil ainda muito nostálgicas. O país ficou muito isolado desde a década de 70. Os professores e os alunos parecem permanecer muito acomodados em se manter nessa situação meio saudosista e, ao mesmo tempo, melancólica. Esta é a conjuntura dominante nas escolas de Belo Horizonte e, principalmente, de São Paulo. Aqui em Belo Horizonte, houve um momento, nos anos 80, de certa independência quando apareceram os pós-modernos mineiros, como o Éolo Maia. Mas a situação tendeu a se homogeneizar e, hoje, não consigo ver nenhuma vertente diferente dessa continuidade de arquitetos modernistas no Brasil. No Rio, a minha impressão é que a presença do Niemeyer afoga o aparecimento de novidades na cidade. Parece que a educação dos novos arquitetos é pautada pelo comodismo dos professores de arquitetura das universidades brasileiras.

 

A influência que o pós-modernismo teve no Brasil é um pouco renegada nas escolas de arquitetura atualmente. Os projetos de Éolo Maia são considerados de pouca importância pela crítica arquitetônica atual.

 

Carlos - Essa análise é verdadeira. Éolo fez bons projetos principalmente na fase inicial de sua carreira. Posteriormente, foi virando uma espécie de devorador acrítico de revistas estrangeiras, parecendo que progressivamente cresceu o apetite dele por esse tipo de informação. Penso que o pós-modernismo, observando-o numa escala internacional, tem um estigma maldito. Mesmo aqueles com uma bagagem conceitual muito forte e consistente, como o Aldo Rossi, são totalmente ignorados na atualidade. Porém, uma visita a alguns projetos dele no interior da Itália mostrará que o retrocesso que pregava é totalmente compreensível. Era algo muito italiano e muito respeitável, mas que não fazia muito sentido ser importado para o Brasil. Por isso, acho que o pós-modernismo daqui é pior do que o pós-modernismo italiano e até mesmo o norte-americano.

 

Você poderia comentar sobre o cenário arquitetônico contemporâneo de Minas Gerais? 

 

Carlos - Dividimos este galpão em que estamos com um escritório de arquitetura chamado BCMF arquitetos, que é um grupo com projetos de grande porte construídos no Rio de Janeiro, como os equipamentos feitos para o Pan-Americano. Eles continuam conseguindo projetar equipamentos de grande escala, como o atual projeto da expansão do estádio do Mineirão para a Copa do Mundo de 2014. São arquitetos com uma verve técnica e uma capacidade de compreender toda a complexidade de parâmetros que programas relacionados a esporte e a grandes eventos exigem. Considero-os o escritório de arquitetura no Brasil mais preparado para projetos de equipamentos esportivos em grande escala. Também há o escritório M3 Arquitetura, dos arquitetos Flavio Agostini e Frederico Bernis, com os quais já trabalhei em alguns projetos, porém estamos um pouco afastados atualmente. Em outras épocas, fiz mais trabalhos em colaboração com arquitetos e, ultimamente, tenho tido que trabalhar de maneira um pouco mais isolada. Para completar o grupo de arquitetos mineiros da minha geração, é fundamental citar também os Arquitetos Associados, que tem feito bons projetos recentemente.

 

Como você analisa o novo projeto para a cidade administrativa de Minas Gerais feito por Oscar Niemeyer?

 

Carlos - O projeto é resultado de uma intenção do governador do estado de fazer um monumento sem qualquer conexão com a cidade. Um marco independente das questões políticas da prefeitura do município de Belo Horizonte. Visto que esses prédios administrativos foram implantados no limite do município, fica claro que o governador tinha a ideia de se desvincular de qualquer tipo de proposta urbana e arquitetônica que pudesse ser confundida com algum tipo de política pública da prefeitura da cidade. Pensando nessa cidade cujo centro precisa voltar a ser adensado, esse tipo de projeto teria potencial para incentivar, de maneira mais forte, a ocupação de alguns dos vazios urbanos centrais. Esse complexo de edifícios administrativos fora da cidade poderia ter ocupado uns cinco prédios da região central ou mesmo uma megacontrução que poderia reativar várias dessas áreas que hoje precisam de algum tipo de revitalização. Observando aspectos arquitetônicos e urbanísticos, há uma inspiração nas realizações de Juscelino Kubitschek, em sua época como governador mineiro, e até mesmo de Carlos Lacerda, ao se apropriar da lógica e dos nomes daquelas linhas verde, amarela e vermelha que direcionam o crescimento da cidade. Detendo-se nesse último sentido, a proposta pode ser vista como uma boa ideia, já que a cidade esgotou o potencial de ocupação para o oeste até chegar nas cidades industriais vizinhas – Betim e Contagem – e, na direção sul, a cidade encostou numa serra. Nesta última região estão crescendo condomínios de classe alta em cima dos morros, com muitos exemplos de construções de péssimos arquitetos com “palafitas”, que são vazios urbanos também, entre a área ocupada e útil da edificação e os terrenos com topografia muito inclinada. Então, contra esse crescimento ao sul e o esgotamento ao oeste, é louvável a proposta da linha verde em direção ao norte, mas ela não precisava ter sido justificada pela construção desse centro administrativo naquele lugar.

 

Mudando da escala urbana para a escala artística, vocês construíram um dos terreiros da Bienal de Arte de São Paulo de 2010. Pensando nessas intervenções feitas por vocês, qual é a relação entre a arte e a arquitetura e em que momento elas se fundem?

 

Carlos - A relação entre arte e arquitetura tem se estreitado recentemente, talvez até se tornando uma certa corrente entre arquitetos europeus e norte-americanos, principalmente nas relações entre edificações e arte urbana. Por exemplo, a Bienal de Veneza de 2008 teve uma exposição específica, chamada Experimental Practices, sobre novas práticas europeias que em grande parte esbarravam em questões mais artísticas. Aqui no Brasil, desconheço algum escritório de arquitetura que busque essa confluência entre arte e arquitetura.

No começo da década passada, um grupo de teatro, que faz apresentações em ruas e praças, chamou a artista plástica Louise Ganz e eu para pensar onde poderia ser a próxima peça do grupo. Naquele momento, eles estavam pensando na concepção, ainda sem texto e diretor. Depois de algumas conversas, propusemos a ocupação desses vazios urbanos que denominamos como “palafitas de concreto”, debaixo de prédios residenciais, e fizemos esse projeto que foi uma mistura de cenografia, paisagismo, arte urbana e arquitetura. Houve uma transformação da paisagem daquela encosta coberta pelas palafitas. Outras oportunidades do gênero aconteceram nos últimos anos até chegar ao terreiro da Bienal de Arte.

 

No trabalho “Enxertos Arquitetônicos”, a arquitetura ali se mistura com questões dos domínios do design e da biologia, trabalhando com um elemento artificial dentro de um elemento natural?

 

Carlos - Esse é um projeto meio doméstico, foi feito na minha própria casa. É um jardim grande que já existia antes de me mudar para lá, com uma mistura de mata secundária, pomar e árvores de quintal como bananeiras e mangueiras. Essas árvores que já existiam foram mantidas. O que há de novo no jardim são as centenas de objetos que foram pendurados nessas árvores. Criando, assim, vários exemplos de possibilidades de se pendurar esses vasos de bromélias nas árvores usando o próprio tronco como suporte. Esses objetos não se restringem somente a vasos. Também há mesas, prateleiras, objetos que partem do princípio de que parte deles são os próprios troncos das plantas do jardim, buscando assim uma certa agressividade da relação entre design e a planta. Tenho registrado com certa frequência, mais ou menos a cada ano, como as plantas têm se modificado em reação a essa agressão e, de certa forma, retomando essas intervenções a favor delas mesmas. Por vezes, as árvores engolem esses elementos artificiais, como próteses inseridas nas plantas. Então, é uma espécie de jardim pessoal e experimental.

Na verdade, também não tenho tido qualquer atuação como paisagista tradicional. Trabalhei em parceria com o BCMF no Centro Esportivo de Deodoro para o Pan-americano do Rio de Janeiro, lidando com paisagismo mas em um nível totalmente urbano, quase agricultural. Eram vários hectares gramados que foram submetidos a um projeto de paisagismo de grande escala. O que fiz com eles foi simples, mas se fosse adiante, seria necessária uma parceria entre eu e um paisagista que pudesse especificar as espécies comigo, já que não tenho o conhecimento técnico adequado.

 

Você foi presidente da ONG Arquitetos sem Fronteiras. Qual era o seu trabalho nesta ONG? Você também poderia comentar o papel social da arquitetura?

 

Carlos - Montei essa ONG com um grupo de aproximadamente quarenta pessoas e, durante sete meses, fizemos um estudo bem aprofundado dos vazios urbanos em torno de 15 viadutos e passarelas de pedestre da via expressa leste-oeste, entre Belo Horizonte e Contagem. Foi financiado pelo Ministério das Cidades, que tinha uma bolsa para projetos relacionados a revitalização de centros urbanos. Coordenado e idealizado pelo arquiteto Flávio Agostini, o projeto abrangia uma área que começava no centro da cidade e ia até a periferia, na divisa com o município de Contagem. Foi uma espécie de ouvidoria pública para todos os atores que pudessem dar algum parecer, algum tipo de posição sobre o que fazer com esses vazios urbanos em torno de viadutos. Estavam envolvidos cerca de 150 catadores de papel, já que é uma via muito usada por eles. Estivemos próximos também de empresários e moradores dessa avenida. Essas pessoas foram ouvidas, as informações foram processadas e o resultado do projeto foi uma lista de programas mais adequados para ocupação desses viadutos ao longo dessa via expressa. O projeto foi apresentado à Prefeitura de Belo Horizonte, que não levou adiante as sugestões do programa. Com isso, houve um desinteresse geral das pessoas ligadas a ONG. Percebemos que manter uma organização como esta no Brasil é um negócio muito difícil. Também não tenho muito o perfil para ficar tocando isso sozinho. Havia outras pessoas que talvez tivessem mais esse perfil, mas que não tinham a fibra para conduzir o projeto, além de ter seus próprios compromissos. Foi por essa falta de energia que a situação da ONG só piorou e, hoje, ela não existe mais. Esse estudo que relatei foi sua única realização.

Depois dessa ONG, fizemos um projeto recente bom, porém muito modificado pela prefeitura, chamado Parque da Terceira Água, mas que nós apelidamos como H3O. A ideia do projeto era bem interessante e volta a abordar a questão dos vazios urbanos. Fomos chamados para pensar sobre a ocupação do talvegue de uma nascente que passa no meio de favela muito densa, com cerca de cinquenta mil habitantes, e com topografia complicada, que inclusive, por esse motivo, permanecia não ocupada. Até para os moradores era difícil ocupar esse local e foi exatamente ele que se transformou no Parque da Terceira Água. Num dos poucos platôs, que era boa parte da pequena área sujeita a um mínimo de ocupação, foram inseridos equipamentos. Do que propusemos, somente duas praças e um centro comunitário foram construídos. Apesar de ter sido bastante modificado, o projeto sobreviveu e continua sendo interessante.

 

O que é arquitetura?

 

Carlos - Não sei responder, é melhor deixar essa resposta em branco.